Leia Mais

MAIS LIDAS HOJE


COTAÇÕES


08/04/2017  81


CONFLITO: EUA atacam base aérea na Síria; Rússia condena ataque

Das Agências Internacionais



CONFLITO: EUA atacam base aérea na Síria; Rússia condena ataque

Navios de guerra americanos situados no Mar Mediterrâneo dispararam uma série de mísseis contra a Síria na madrugada desta sexta-feira (7), em retaliação pelo suspeito ataque químico que deixou mais de 80 mortos nesta semana e cuja responsabilidade é atribuída pelos EUA ao presidente sírio Bashar al-Assad.

As autoridades americanas informaram que os 59 mísseis Tomahawk tinham como alvo a base aérea de Shayrat, na cidade de Homs, de onde se acredita que partiram os caças que lançaram o ataque químico sobre Khan Cheikhoun na terça-feira. O bombardeio americano atingiu aeronaves sírias, uma pista de pouso e estações de abastecimento, disseram os militares.

A televisão estatal síria chamou o ataque de “ato de agressão” por parte dos EUA e citou uma fonte militar que informou sobre danos causados pelo bombardeio, sem dar detalhes. De acordo com o governador de Homs, o ataque deixou mortos.

Mudança de estratégia

Esta é a primeira vez que os Estados Unidos atacam diretamente as forças de Assad em seis anos de guerra. Até então, o país havia concentrado esforços em combater o autoproclamado “Estado Islâmico” na Síria e no Iraque, assim como militantes ligados à rede terrorista Al Qaeda que controlam grandes partes da província de Idlib, onde fica a cidade de Khan Cheikhoun.

O dilema para Trump é que uma campanha militar para enfraquecer as forças de Assad provavelmente vai fortalecer grupos terroristas que combatem o regime sírio em solo. Durante a campanha presidencial, Trump havia advertido contra o país ser arrastado para dentro do conflito multilateral.

A ação desta sexta-feira representa um forte acirramento no conflito, após o presidente Trump ter indicado que haveria retaliação dos EUA por causa do suspeito ataque químico. Em um pronunciamento feito em seu resort Mar-a-Lago, onde se encontrou com o presidente chinês, Xi Jinping, Trump declarou que o ataque com mísseis é de “interesse vital para a segurança nacional”.

Os Estados Unidos devem “prevenir e deter a propagação e uso de armas químicas mortais”, disse ele, acrescentando que não há dúvida de que o regime sírio realizou o ataque químico na cidade de Khan Cheikhoun, controlada pelos rebeldes.

“Todas as tentativas de mudar o comportamento de Assad falharam. Como resultado, a crise de refugiados se está agravando e continua desestabilizando a região, ameaçando aos EUA e seus aliados”, afirmou o presidente. O tom representa uma forte guinada em relação à semana anterior, quando o secretário de Estado, Rex Tillerson, sugeriu que remover Assad não era mais uma prioridade para os EUA. 

Rússia condena

Segundo nota do porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, o presidente russo, Vladimir Putin, classificou como “pretexto exagerado” a justificativa do governo americano para o ataque. “A atitude de Washington representa um golpe significativo para as relações Rússia-EUA, que já se encontravam em estado deplorável”, dizia o comunicado, segundo o qual o ataque cria “graves obstáculos” para a criação de uma coalizão internacional contra o terrorismo.

O ministro russo do Exterior, Sergei Lavrov, também qualificou o ataque como um ato de agressão, dizendo que seu país exigirá explicações sobre a natureza da operação americana. Ele disse esperar que essa “provocação” por parte de Washington “não cause danos irreparáveis” às relações entre os dois países.

Moscou suspendeu nesta sexta-feira o tratado de segurança aérea com os militares americanos, criado a fim de evitar colisões entre aeronaves dos dois países no movimentado espaço aéreo sírio.

De acordo com o Pentágono, os militares russos foram informados sobre o lançamento dos mísseis. “As forças russas foram notificadas previamente sobre o ataque e, os militares tomaram precauções para minimizar o risco para pessoal russo ou sírio na base aérea”, disse o porta-voz do Pentágono, capitão Jeff Davis, citado pelo jornal The New York Times.

Mais cedo, o representante da Rússia nas Nações Unidas, Vladimir Safronkov, havia alertado sobre “consequências negativas” caso Washington agisse militarmente na Síria. “Toda a responsabilidade se ocorrer ação militar recairá sobre os ombros daqueles que iniciaram um trágico empreendimento tão duvidoso”, disse Safronkov.

O bombardeio também eleva a possibilidade de que as defesas aéreas sírias, apoiadas por avançados mísseis superfície-ar da Rússia, comecem a atirar contra aeronaves da coalizão anti-”Estado Islâmico” comandada pelos Estados Unidos em missão sobre a Síria.

Esses sistemas de defesa, e o risco que eles representam para os pilotos, são provavelmente a razão pela qual os EUA escolheram usar mísseis lançados de navios de guerra no Mediterrâneo Oriental.

Decisão rápida

A decisão de Trump de atacar as forças de Assad ocorre quase três anos e meio após o ex-presidente Barack Obama ameaçar com ação militar após centenas de pessoas terem morrido em um ataque químico num subúrbio de Damasco.

Obama havia declarado uma “linha vermelha” e estava pronto para atacar Assad antes de inverter o curso, gerando críticas por não impor suas linhas vermelhas e, com isso, encorajar os oponentes dos EUA.

Após falhar conseguir em aprovação do Congresso para uma ação militar, Obama fez um acordo com a Rússia para remover o estoque de armas químicas da Síria, depois que Damasco assinou a convenção internacional. Em 2014, a Organização para Proibição de Armas Químicas disse que havia removido os estoques da Síria.

Desde então o governo sírio tem sido acusado de realizar múltiplos ataques com gás cloro, não incluído no acordo entre EUA e Rússia. O uso de armas de cloro é proibido pela Convenção de Armas Químicas, mas a produção de cloro, não. Rebeldes sírios e militantes do “Estado Islâmico” também foram acusados de realizar ataques com armas químicas na guerra.

A retaliação americana ocorre apenas poucos dias após o suposto ataque químico, levantando dúvidas se Trump se precipitou em ordenar um ataque militar antes de haver uma investigação sobre o que realmente aconteceu em Khan Cheikhoun.

 

11 10




Comentários


Seja o Primeiro a comentar!



Comente esta notícia

Este é um espaço para você opinar e debater. Por isso, o Tribuna Livre não publica comentários anônimos, com ofensa à moral ou honra de outrem, nem com palavras de baixo calão. Links externos serão automaticamente excluídos do conteúdo. Os comentários são limitados a 1024 caracteres. Ajude-nos a manter o nível de respeito ao próximo e denuncie o conteúdo que considerar abusivo.


Um valor é necessário.
Um valor é necessário.Formato inválido.




Caracteres restantes:  Um valor é necessário.Número máximo de caracteres excedidos.

TOP TRIBUNA

Cidade

Cargos comissionados na Prefeitura de Pres. Venceslau motivam inquérito do MP
19/05/2017 46


Região

Vereador Antoniel confere projeto VivaLeite em Marabá Paulista
12/05/2017 21


Cidade

Modelo venceslauense se destaca em trabalhos internacionais
13/05/2017 20


Cidade

Corpo de Dudu foi enterrado ontem à tarde em Presidente Venceslau
18/05/2017 18


Região

Incêndio destrói Supermercado Lisboa em Santo Anastácio
13/05/2017 17



Clima Tempo - Presidente Venceslau