Núcleo duro do voto lulista e bolsonarista bagunça pré-campanha nas eleições
Núcleo duro do voto lulista e bolsonarista bagunça pré-campanha nas eleições

 

Lula está preso e sua candidatura parece miragem, mas o PT aposta tudo na capacidade dele de transferir votos para algum presidenciável petista, caso fique fora da eleição. Jair Bolsonaro é de um partido nanico e com direito a poucos segundos de propaganda na TV na campanha, o PSL, mas tem eleitores fiéis e dispostos a trabalhar duro por ele na internet.
Nos dois casos, a mesma dúvida. Em um País de posições políticas cada vez mais radicalizadas desde o impeachment de Dima Rousseff, qual o tamanho do eleitorado que não se importa de votar em um candidato prisioneiro ou apoiado por este? E qual o tamanho do eleitorado que irá de Bolsonaro de qualquer jeito, mesmo que o reacionário deputado sofra uma saraivada de ataques?
Essa incerteza tem bagunçado e condicionado toda a negociação dos partidos na montagem de chapas e palanques com vistas a uma eleição que já está logo ali. Um quadro bem diferente da última campanha, quando a essa altura do ano as peças que estariam em cena tanto no campo progressista quando no conservador já estavam praticamente definidas.
Graças à crença de que Lula consegue transferir votos, o PT tem conseguido manter a indefinição dentro do PSB e do PCdoB. Se houvesse certeza de que os cálculos petistas estão corretos, as duas siglas já teriam decidido apoiar PT. Se a convicção fosse oposta, teriam entrado na canoa de Ciro Gomes, do PDT, que não faz mistério: quer PSB e PCdoB como aliados preferenciais, para que sua chapa tenha “hegemonia moral e intelectual” progressista.
Na última pesquisa conhecida, um Datafolha divulgado em 10 de junho, Lula tinha 30%, mas qualquer plano B petista se saía de maneira pífia, 1% para Fernando Haddad e para Jaques Wagner. Em seus cálculos, o PT acredita que Lula será capaz de garantir algo como 14% a 18% dos votos a quem quer que apoie.
Para se reforçar como sigla competitiva, o PT conta ainda com o fato de ser o campeão de simpatia popular, 19% de preferência, segundo pesquisa Ibope de março. Bem à frente do segundo colocado, o MDB, que tem 7%.
Com a eleição por enquanto cheia de pré-candidatos, muita gente na política e no mercado de pesquisas dá como certo que vão chegar ao segundo turno candidatos com baixa votação, inferior a 20%. É o caso de Renato Meirelles, do Instituto Locomotiva.
O deputado André Figueiredo, líder do PDT de Ciro, também pensa assim. “Nos nossos cálculos, quem tiver de 17% a 20% vai para o segundo turno”, diz. Para ele, porém, Lula será capaz de transferir menos do que os petistas acham, algo entre 12% e 15%.
Promessa de uma disputa acirrada na seara progressista, com o PT tentando empurrar Ciro para a direita, impedindo que ele feche aliança com PSB e PCdoB, e com o pedetista a dizer por estes dias: “Eu não rivalizo com Bolsonaro, rivalizo com Lula, e Lula, no meu cálculo doído que seja, não será candidato”.
Com algo entre 15% e 20% nas pesquisas, Bolsonaro é até aqui um pepino no lado direito do jogo. Pior para Geraldo Alckmin, do PSDB. No fim de 2017 e no início deste ano, o tucano ensaiava uma candidatura com acenos para o eleitorado mais à esquerda. Agora troca farpas com Bolsonaro, pois em primeiro lugar precisa dos votos conservadores, sem os quais dificilmente chega ao turno final.
Não se sabe até qual patamar uma ofensiva tucana baixaria a intenção de voto em Bolsonaro.  Mesmo que falte a ele estrutura partidária e na propaganda na TV para encarar a briga, o deputado joga desde já todas as fichas na web. É o pré-candidato com a maior tropa de seguidores nas redes sociais. Um batalhão pronto a taxar de mentira tudo o que a mídia e os rivais disserem dele. Qual o tamanho exato desse exército, ou seja, do voto bolsonarista duro: 5%, 10%, 15%?
O próprio presidenciável deu a pista de como será essa luta bolsonarista ao ir aos Estados Unidos em outubro. Na chegada a Miami, gravou um vídeo de 48 minutos, disponível no YouTube, em que elogia Donald Trump e comenta que sabe o que é ser alvo de “fake news”, como ele acha que aconteceu com presidente norte-americano na eleição de 2016 no Tio Sam.
Apesar de Alckmin trocar sopapos com Bolsonaro do lado direito, o PSDB lançou há alguns dias um manifesto em que prega a união das forças governistas em torno de uma candidatura única. Um apelo que tem poucas chances de dar certo exatamente pela presença de Bolsonaro em cena, a desorganizar o governismo direitista.
Foi mais ou menos isso o que quis dizer dois dias depois o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do DEM, um dos presidenciáveis do governismo. “Se houvesse uma candidatura hoje que estivesse organizando esse campo, não haveria problema de compreender que existe um nome capaz [de unir], mas esse nome não apareceu.”
Daí que o DEM, aliado do PSDB em todas as eleições presidenciais desde 1994, agora admite até conversar com Ciro Gomes, uma situação que colabora para a tentativa do PT de empurrar o pedetista para uma condição em que ele ficaria exposto ao rótulo de competidor meio direitista.
Uma bagunça total.

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