Polícia conclui inquérito da ‘Operação Echelon’
Polícia conclui inquérito da ‘Operação Echelon’


Após 10 dias da deflagração da operação interestadual Echelon, a Polícia Civil de São Paulo concluiu no sábado o Inquérito Policial que investigou pessoas pertencentes às células de organização criminosa com capilaridade interestadual.
As investigações, contendo 1.135 páginas, foram encaminhadas à justiça e resume as atividades da organização criminosa.
O relatório está encartado ao Inquérito Policial contendo 54 volumes (24 de autos principais e 30 de autos complementares) e em um HD com informações sobre as investigações policiais.
A Operação Interestadual mobilizou mais de 500 policiais civis em 14 estados da Federação e prendeu até o momento 65 pessoas, dos 75 mandados de prisão preventiva expedidos. 
A investigação perdurou cerca de 1 ano, resultando em 103 pessoas investigadas, 76 indiciamentos. Desse número, foram representados pela expedição de 75 mandados de prisão preventivas, que foram concedidos pelo Poder Judiciário.
Todo material apreendido durante as investigações foi submetido aos policiais civis analistas, que reafirmaram as provas já existentes nos autos e ainda extraíram outra centena de homicídios perpetrados pelos integrantes das células investigadas, informações que foram compartilhadas com as polícias civis dos Estados para avanço das apurações em âmbito local.
Expansão do PCC
“Eu tenho mais de trinta cadáveres dentro do meu telefone”, disse Rafael Silvestri, no dia 8 de setembro do ano passado, em conversa telefônica com um comparsa do Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior e mais perigosa organização criminosa em atividade no Brasil. Ele se jactava das imagens de inimigos mortos que havia recebido em seu celular de comparsas baseados em vários estados brasileiros. Silvestri é a principal “autoridade” do PCC no Nordeste e, nos últimos seis meses, teve seu sigilo telefônico quebrado pela Polícia Civil de Presidente Prudente juntamente com o de outros 200 membros da facção. O material, colhido no âmbito de um inquérito sigiloso, ajudou os policiais a deflagrar, no dia 14, a Operação Echelon, que desvendou o modus operandi usado pelos bandidos do PCC para expandir seu domínio sobre o tráfico de drogas nos estados.
As investigações levaram a constatações preocupantes. Uma delas: os territórios onde a facção trava disputa com outros grupos criminosos pela hegemonia no tráfico são justamente os que sofreram uma explosão de homicídios em dez anos. Nesse período, o aumento do número de assassinatos por 100 000 habitantes, segundo o Atlas da Violência de 2018, é uma matemática de horrores: 256% no Rio Grande do Norte, 121% em Sergipe, 93% no Acre, 86% no Ceará, 74% no Pará e 72% no Amazonas. Tais áreas são as que mais aparecem nas conversas gravadas pela polícia. Identificadas como zonas conflagradas, são rotas estratégicas para a entrada da cocaína no Brasil e seu escoamento para a Europa. Em São Paulo, onde o PCC surgiu e é hegemônico no tráfico, o vetor é inverso: os homicídios caíram 46% na última década. Por isso, dissemina-se a certeza de que o controle da violência em São Paulo não está nas mãos do governo e suas políticas de segurança. Está nas mãos do PCC. 
(Com A Veja)
 

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