Em ótima forma aos 60, Nicole Puzzi desdenha de envelhecimento: “Uma hora cai tudo mesmo”
Em ótima forma aos 60, Nicole Puzzi desdenha de envelhecimento: “Uma hora cai tudo mesmo”

Estrela da pornochanchada, símbolo sexual, mãe, avó, feminista, mulher à frente de seu tempo: Nicole Puzzi, 60 anos, é tudo isso e, como faz questão de frisar, atriz. Musa de várias gerações, ela está de volta aos palcos na peça Transex, da Companhia de Teatro Os Satyros, em São Paulo. 
Nicole pagou o preço por ter saído de casa aos 17 anos para viver a vida como queria, trabalhando na Rua do Triunfo, na Boca do Lixo paulistana - meca da pornochanchada, o gênero que misturava comédia e erotismo, com uma dose de absurdo, e lotava os cinemas. Ídolo das décadas de 70 e 80, Nicole fez dezenas de filmes com nomes como O Prisioneiro do Sexo (1978), Ariella (1980) e Eros, o Deus do Amor (1981). Também fez Gabriela, Cravo e Canela, o longa com Sônia Braga e Marcello Mastroainni, e Eu, ao lado de Tarcísio Meira, além de muita TV “ a última novela foi Amor e Revolução, em 2011, no SBT.
“Eu já era feminista, achava que a mulher tinha que se liberar, tinha que sentir prazer”, conta Nicole, que nunca se casou e não quer namorado dentro de casa. “Mas eu não passo desejo, não passo vontade, não. Quando eu quero, eu tenho”, explica ela, dizendo que é quem decide pelo início das relações. “Sou eu que escolho. Não é o homem que escolhe”, ensina, confessando que adora receber a atenção masculina. ‘‘É gostoso, eu sou uma mulher, eu gosto de ser cantada, assume.
Nicole apanhou na rua e foi assediada, teve depressão, foi discriminada. Sofreu  e muito pelo caminho que escolheu. “Sofri com alguns homens tentando passar uma imagem que eu não era, nunca fui. Na época eu era só uma atriz. Nunca fui prostituta, se eu fosse prostituta estava riquíssima, né, bem? E, se fosse, era problema meu. Mas não fui. Tentavam muito passar essa imagem a meu respeito para denegrir mesmo, confessa a atriz.
Tantos anos depois, Nicole vive com seis cachorros (todos adotados, só não tenho mais porque não cabe) e diz que tem mais fãs hoje que auge da fama. São héteros, gays, jovens, até senhoras que conhecem toda minha vida, meu passado e me amam, conta, emocionada. Cheguei em um momento em que as pessoas, entre aspas, me perdoam por ter sido tão avançada. Estou com uma certa idade e todo mundo fica legal com uma pessoa de certa idade, eu sei disso. Mas ótimo, que isso fique, assume.
Como lida com a idade?
Estou muito feliz porque agora posso assistir tudo que é show de rock pagando meia e entrando na frente na fila (risos). Estou feliz, acho que faz parte a gente envelhecer. Claro, não morri cedo, vou envelhecer. Não tenho nenhuma nenhuma receita a não ser minha maneira de viver. Eu bebo muita água. Nunca bebi, nunca fumei e nunca usei drogas. Embora fosse muito louca, nunca usei drogas de espécie alguma. Mesmo que as pessoas não acreditem.

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