Antonio José nega prejuízo e desvio de recursos na Santa Casa de Venceslau
Antonio José nega prejuízo e desvio de recursos na Santa Casa de Venceslau

Com exclusividade para o Tribuna Livre, o provedor da Santa Casa de Presidente Venceslau, Antonio José Aldrigui dos Santos, relatou sua versão sobre o envolvimento do seu nome na Operação Sanctorum, deflagrada ontem pela Polícia Civil.

Três homens foram presos ontem de manhã, apontados como articuladores de um esquema que desviava verbas de emendas parlamentares, utilizando hospitais filantrópicos para compra de equipamentos médico-hospitalares. 

Foram presos Gilmar Aparecido Alves Bernardes, em Presidente Prudente, Ronildo Pereira de Medeiros e Luiz Antônio Trevisan Vedoin, em Cuiabá. Ronildo e Luiz Antonio já haviam sido presos na Operação Sanguessugas, em 2006.

Em Presidente Venceslau, os policiais civis realizaram buscas e apreensões na Santa Casa e na residência e no escritório de Antonio José . 

“Eles estiveram hoje de manhã no meu apartamento e reviraram tudo, levaram meu computador. Vão constatar que não há nada, a não ser as críticas que faço aos políticos nas redes sociais”, disse.

Semanas antes da operação, de forma espontânea, Antonio José já havia disponibilizado a abertura de suas contas e de seu imposto de renda para a polícia. “Não tenho nada a esconder porque não cometi crime algum”, disse.

Antonio José afirmou que a Santa Casa é vítima. Contou que, em 2012, foi procurado por agentes políticos da cidade, preocupados com a situação da Santa Casa, que apresentaram um homem, de nome Gilmar, que veio oferecer emendas parlamentares para aquisição de equipamentos para o hospital. “Estávamos com muitos equipamentos sucateados e não dispensamos a ajuda”, justificou.

Em 2013, juntamente com mais 20 provedores de santas casas e hospitais filantrópicos, Antonio José participou de uma reunião em São Paulo. “Lá, o Gilmar nos apresentou o assessor de um deputado, que deu detalhes sobre as emendas e as condições para a aquisição”, disse.

Antonio José conta que fez todo o procedimento legal para a aquisição dos equipamentos, após ouvir os médicos sobre as principais necessidades da Santa Casa. “Não teve superfaturamento, pois levantamos os preços junto à DRS (Divisão Regional de Saúde) e empresas fornecedoras. Na época havia grande procura desses equipamentos e pouco oferta”, disse.

Concomitantemente, as emendas prometidas, provenientes de recursos estaduais, deixaram de ser para aquisição de equipamentos e passaram para custeio. Com isso, os R$ 800 mil enviados foram usados pela Santa Casa para pagamento de funcionários, de fornecedores e de compra de remédios.

Neste interim, os equipamentos que haviam sido pedidos pela Santa Casa foram entregues ao hospital. “Eram equipamentos necessários, como camas hospitalares, aparelhos para o centro cirúrgico, entre outros, e que ficaram um bom tempo armazenado nos corredores do hospital. Como já havíamos recebido o dinheiro para custeio, decidimos fazer a devolução, que não foi aceita pela empresa e que passou a nos ameaçar, inclusive de morte”, contou Antonio José.  Em razão da  necessidade dos equipamentos e após muita pressão, a Santa Casa aceitou ficar com o material e pagar com recursos próprios. Para dar saída dos recursos, a Santa Casa recebeu uma nota de doação e também notas fictícias. “Só ficamos sabendo que as empresas eram ‘laranjas’ com a operação da polícia”, afirmou Antonio José.

A Santa Casa pagou parte da dívida dos equipamentos, pouco mais de R$ 300 mil, e emitiu dois cheques, que posteriormente foram sustados por falta de recursos. Após a sustação dos cheques, os emissários da empresa envolvida no esquema continuaram a ameaçar Antonio José de morte.

Afastamento

Ontem, a justiça de Presidente Venceslau acatou pedido do delegado Evereson Contelli e determinou o afastamento de Antonio José da provedoria. Sobre essa decisão, o advogado do provedor, Reginaldo Beraldo de Almeida, afirmou ao Tribuna Livre que vai recorrer. Segundo ele, a decisão não se sustenta e carece de embasamento técnico para conhecimento do seu cliente.

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2 Comentário(s)

  • Leitor Julio
  • 03/06/2016

Cadeia neles, chega de corrupção!

Sinto vergolha alheia, usar o dinheiro da população em beneficio próprio é deprimente!

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