Alunos de Medicina da Unoeste protestam contra o aumento das mensalidades
Alunos de Medicina da Unoeste protestam contra o aumento das mensalidades


Estudantes de Medicina da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista) de Presidente Prudente se reuniram em frente ao campus I, anteontem pela manhã, para protestar contra o reajuste do valor da mensalidade do curso, que ultrapassa o teto de financiamento estabelecido pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) e transfere os gastos excedentes para a responsabilidade dos alunos contemplados pelo Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior). 
De acordo com a organização do manifesto, cerca de 300 acadêmicos estiveram presentes. A principal reivindicação dos universitários é pelo diálogo com a reitoria da instituição.
A Unoeste informa que a responsabilidade sobre o excedente de gastos é uma regra do programa do governo federal, determinada em contrato assinado pelos alunos. Contudo, em razão da demanda de estudantes que teriam dificuldades em assumir essa mensalidade, a universidade estuda uma possibilidade de facilitar a forma de pagamento dos valores em atraso. Por isso, orienta que os estudantes com dúvidas procurem o Setor de Atendimento ao Aluno, localizado no bloco A do campus da instituição.
A respeito de apontamentos dos alunos de que o curso estaria entre os mais caros do país, a universidade completa que é preciso levar em consideração o valor em todos os termos dessa graduação (média), não apenas em relação ao primeiro termo, já que, em Medicina, os preços reduzem conforme cada semestre. A instituição acrescenta que a mensalidade é reajustada de acordo com o que preconiza a lei e os valores são revertidos em “constantes investimentos”.
“Fora da realidade”
O acadêmico do 4º termo, Vomer Silva, 22 anos, conta que a mensalidade passou por “aumentos excessivos” nos últimos anos, o que extrapolou o teto do Fies e onerou os beneficiários. “Hoje, a mensalidade para o aluno recém-ingressante é superior a R$ 9,8 mil, o que foge da realidade financeira do país”, comenta. O jovem veio do interior de Goiás e afirma que não tem condições de arcar com esse dinheiro “extra”, considerando que dispõe de outros gastos, como moradia, alimentação, transporte e material escolar, “que não está incluso dentro da mensalidade excessiva”.
A estudante Rebecca Andrade Porto, 25 anos, relata que a mensalidade do seu termo equivale a R$ 9.250, mas conquistou 98% de financiamento, calculado de acordo com a renda familiar. Aponta que, uma vez que o aditamento saiu apenas em março, os alunos estão devedores dos meses de fevereiro e março e têm uma diferença para quitar que, no seu caso, é de quase R$ 2 mil. “A minha mensalidade saltou R$ 630. Eu nunca vi um salário que subiu tanto nesse período”, argumenta. A universitária defende que o Fies é um “direito adquirido” e a semestralidade da Unoeste não consta no site do MEC (Ministério da Educação), por isso, todos confirmaram o aditamento. “Então, eles começaram a correr a dívida a partir do dia que você confirmou o aditamento, colocando juros retroativos nos meses em que não sabíamos, porque não nos informaram previamente sobre o reajuste”, afirma. Caso não chegue a uma negociação, a alternativa para Rebecca será regularizar a sua inadimplência por meio de empréstimos e, posteriormente, trancar o curso, segundo ela.
A estudante Fernanda Cristina Alves da Silva, 20 anos, por sua vez, diz que a nova mensalidade somada aos retroativos dos três primeiros meses comprometem 30% da renda de sua família, fora o que precisa pagar com moradia, transporte e alimentação. “Quando liguei para a minha mãe, ela disse que eu teria que desistir”, lamenta. 
Com O Imparcial)

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