Esquema desvia dinheiro da Câmara de Sandovalina
Esquema desvia dinheiro da Câmara de Sandovalina

 

Anteontem, a Polícia prendeu quatro agentes públicos ligados à Câmara Municipal de Sandovalina. A prisão faz parte da segunda fase da Operação Tríade, deflagrada pela Polícia Civil, MPE (Ministério Público Estadual) e TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo), com o objetivo de investigar irregularidades de ordem financeira e contábil na casa de leis do município. 
O desfalque chega a cerca de R$ 200 mil. Os envolvidos são acusados pelos crimes de supressão de documentos públicos, peculato, inserção de dados falsos em sistema, lavagem de dinheiro e organização criminosa. No mesmo dia, a polícia liberou dois dos acusados, mas manteve os que comandavam o esquema. Eles permanecem em prisão temporária enquanto são realizados os interrogatórios, oitivas de testemunhas e análise dos documentos que foram apreendidos.
De acordo com a promotora de Justiça de Pirapozinho, que atende ao município de Sandovalina, Fabiola Castilho Soffner, são investigados o ex-presidente da Câmara, Alan Ferreira dos Santos, o atual contador da casa, Valdir Luiz Laurentino, a tesoureira Paula Roberta Cortez Simões e o ex-servidor Carlos Eduardo de Barros, que exercia a função de tesoureiro até meados de 2015, ocasião em que foi exonerado em função de apurações do TCE que apontavam desvios de mais de R$ 100 mil na casa de leis. Na oportunidade, seu cargo foi assumido por Paula. Já Alan atuou como presidente da Câmara até 2015, mas foi afastado em razão de condenação criminal, retornando posteriormente como vereador. Embora atualmente não exerça uma função formal no Legislativo, Fabiola cita que “o mesmo continua nos bastidores, valendo-se da influência de sua esposa Jaqueline Aguera Sanfelix [PSDB], atual presidente da casa”.
Fabiola explica que as investigações se iniciaram a partir de um inquérito civil da Promotoria de Justiça de Pirapozinho e de inquéritos policiais que já tramitavam na Delegacia de Polícia de Sandovalina. Segundo ela, foi verificado na época, a partir de uma somatória de informações disponibilizadas pelo TCE ao longo da análise das contas anuais dos exercícios de 2014 e 2015, uma “grande trama criminosa cuja finalidade era a sangria dos cofres públicos por meio do desvio de bens e valores”. Valores estes que, no período apurado, ultrapassavam R$ 200 mil.
A partir disso, os três órgãos viram a necessidade de uma investigação mais aprofundada, a fim de constatar quem era os autores e a participação individual deles no caso, o que resultou na primeira fase da operação, realizada em janeiro deste ano. Na ocasião, foram feitas buscas na Câmara e, posteriormente, análises dos documentos colhidos nos setores financeiro e contábil. “Uma consulta minuciosa revelou outras irregularidades no final do exercício de 2017 e início de 2018”, completa.
“Os investigados utilizavam a Câmara como se fosse o seu quintal de casa. Achavam que o dinheiro do Legislativo pertencia a eles e que podiam usá-lo como quisessem”, sintetiza o delegado Claudinei Alves. Ele aponta que, entre os crimes cometidos, estão a aquisição de uma máquina roçadeira de R$ 7,2 mil para uso particular; e celulares que, após um mês de uso, eram dados como inservíveis e transferidos para os familiares dos investigados.
Fabiola também menciona irregularidades nas folhas de pagamento, posto que as despesas com pessoal apresentadas eram incompatíveis com os valores efetivamente gastos. A promotora acrescenta que, por ora, a investigação abarca somente os quatro citados. No entanto, o resultado das oitivas e interrogatórios pode revelar novos fatos e possíveis envolvidos. (Com O Imparcial)
 

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