A FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty, Rio de Janeiro, já  em sua 16ª edição,  aconteceu no período de 25 a 29 de julho último. Tendo como espaço o “Centro Histórico” de Paraty, onde em tendas, livrarias e Casas Parceiras, foram desenvolvidas intensas atividades culturais, predominantemente literárias, abertas ao público, graciosamente.      
 Sempre almejei estar na FLIP para conhecer e desfrutar do clima artístico e cultural, com ênfase na Literatura.
Neste ano, a escritora homenageada foi Hilda Hilst, que nasceu em Jaú – SP em 1930 e faleceu em 2004. Escritora pouco lida, apesar de ter recebido vários prêmios da crítica especializada, resolveu, na década de 90 afastar-se da chamada “literatura séria” na qual questionava a vida, Deus e a morte e inaugurou uma fase de intensa produção de poemas pornográficos e enveredou pela pesquisa de sons, ruídos e vozes de “outro mundo”, buscando diálogo com os mortos. Como acontece com muitos escritores, nos últimos anos, Hilda foi revalorizada pela comunidade acadêmica e, chegando aos leitores, tornou-se um ícone da “liberdade de ser diferente”, dado o seu jeito peculiar de se posicionar perante a vida e a arte, o que vem ao encontro do momento que estamos vivendo.
Toda a programação oficial da FLIP girou em torno da obra de Hilda Hilst. A abertura ficou a cargo de Fernanda Montenegro que leu, teatralmente, alguns de seus poemas e enalteceu sua capacidade criativa e corajosa. Mesas de debates, performances e discussões foram feitas sobre a obra da autora em questão. 
A estrutura física montada para o evento, conforme informações, sofreu algumas alterações em relação aos anos anteriores, devido à diminuição dos repasses de verba do Ministério da Cultura. Uma tenda, apenas, cobrava ingressos, mas em outra ao lado, as mesmas atividades eram vistas, por telão, em tempo real e graciosamente. Paralelamente, havia 22 “Casas Parceiras” bancadas por jornais, revistas, editoras, Sistema S, etc, que mantinham uma programação artística, literária e política aberta ao público: artistas, escritores lançando seus livros, saraus, música ao vivo, contação de histórias de não ficção, entrevistas e debates, numa programação simultânea e concomitante, difícil de selecionar dada à qualidade.
De 25 a 29 de julho, a afluência de público cresceu exponencialmente, deixando o transitar pelas ruas de pedra de Paraty cada dia mais difícil. Verdade seja dita: milhares de pessoas das mais diferentes classes sociais e culturais, tipos humanos exóticos, figurinos alternativos e a diversidade de gênero marcando presença. Mas predominando sempre o respeito, a tolerância e o famoso “cada um na sua”. 
Além das mesas de discussões teóricas sobre Hilda Hilst foi possível estar presente nos lançamentos de livros como: “Poesia que transforma”, de Bráulio Bessa; “Hello Brasil”, do psicanalista Contardo Calligaris; “O sol na cabeça”, do promissor escritor Geovani Martins; Isabela Figueiredo, festejada escritora portuguesa, e suas “Memórias colonialistas”; Fernanda Montenegro, com seu “Itinerário fotobiográfico”, entre outros.
Foi possível, estar frente a frente, com figuras destacadas do cenário político contemporâneo como: Juiz Marcelo Bretas, fortemente protegido por policiais federais; Ministro Luís Roberto Barroso, que fez questão de dispensar os seguranças; político Fernando Haddad que pediu reforço de segurança e cujos simpatizantes lotaram a rua em frente ao local do evento, sendo motivados por clichês e palavras de ordem, aos gritos, assemelharam o espaço a um palanque de campanha eleitoral, o que desagradou a muitos. Já na sessão de abertura, enquanto Fernanda Montenegro era aguardada, houve um arremedo de manifestação política em prol do ex presidente Lula, quando algumas vozes se fizeram ouvir: “Lula livre”,  mas foram rapidamente sufocadas por uma sonora vaia da maioria.
Vale destacar: conheci Tiago Ferro, um jovem editor e agora também escritor, que representa uma nova tendência literária: a literatura pela perda e ou ausência. Impactante! Forte e inesquecível! Na Casa Autografia, pude acompanhar o lançamento do livro “Mariposas não morrem” com poemas de Marli Oliveira Geraldo, uma ex aluna, jovem venceslauense, cujo Prefácio é de minha autoria. Orgulho meio “maternal”!
Valeu muitíssimo a longa viagem até Paraty para, literalmente, mergulhar em uma atmosfera de cultura, arte, novos pontos de vista e ampliação de conceitos e de horizontes! Oxalá todos pudessem vivenciar essa experiência!
“Porque te amo, deverias ao menos te deter um instante.” (Hilda Hilst)
(*) Aldora Maia Verissimo – AVL – Cadeira nº 04


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