“Ninho vazio” é um termo utilizado para definir o momento em que o último filho deixa a casa dos pais. É quando os filhos saem de casa para estudar, trabalhar ou por terem se casado. Caracteriza-se por um profundo sentimento de tristeza, desânimo e de casa vazia, daí a denominação “ninho vazio”. 
Os pais, normalmente, experimentam sentimentos contraditórios; por um lado sentem-se felizes porque os filhos estão “encaminhados” na vida e se alegram por suas conquistas; mas por outro lado, experimentam uma sensação de inutilidade, não há mais necessidade de cuidarem dos filhos; e a casa com quartos, agora, vazios, materializa a ausência da prole. Passar em frente ao quarto do filho ou filha e ver a cama sempre em ordem, não ver roupas espalhadas, não encontrar tênis ou meias pelo chão ou toalha molhada sobre a cama, paradoxalmente, causa uma profunda tristeza, principalmente nas mães, figuras mais presentes no lar. Pensando racionalmente, temos a certeza de que os filhos precisam aprender com a própria experiência de vida e conquistar sua autonomia. Emocionalmente, porém, tem-se a sensação de estarmos sendo abandonados e a constatação de que eles cresceram e não dependem mais totalmente de nós, os pais. Sentimo-nos ambivalentes: queremos continuar apoiando os filhos nesta nova etapa, mas surge um sentimento de perda, que  nos parece irreversível.
É um momento em que o relacionamento do casal, os pais, poderá se estreitar, porque agora sozinhos poderão desfrutar de mais proximidade e mais intimidade e reacender a paixão, às vezes, já adormecida. Mas, se porventura, o relacionamento estiver mantido apenas pelos filhos, o desfecho poderá ser acelerado, porque então os pais não verão mais razões para permanecerem juntos.
Já passei pela síndrome do ninho vazio duas vezes. A primeira vez, foi quando minha filha, aos dezessete anos, saiu de casa para cursar Psicologia em Assis. Talvez por ser uma menina, ainda muito nova, ter tido uma infância não muito saudável, sofremos muito, eu, meu marido e meu filho, com a ausência física, com o silêncio que se estabeleceu na casa, com a privação de suas bagunças que tanto nos alegravam e com a organização da casa, agora tão tranquila. A segunda vez, há dez anos, quando meu filho se casou. A ausência de sua figura calma, seu comedimento ao conversar, suas críticas severas com o que não concordava, me fizeram muita falta. Talvez tenhamos nos aproximado mais após a saída da caçula; deixá-lo ir, sabidamente feliz, mesmo assim nos deixou um vazio enorme.
No entanto, a chegada dos netos se assemelha a um recomeço de vida; os avós, já percebendo as não tão sutis limitações da idade, e sabendo que todo ciclo tende a ser fechado, sentem-se revigorados ao ver a casa, agora, colorida com a presença de pequenos seres, que preenchem os espaços com perninhas velozes, risos cristalinos e uma desorganização, aos nossos olhos, primorosa. O ninho, antes vazio, agora torna a encher-se com sorrisos constantes, olhinhos brilhantes, curiosidades insaciáveis, choros inconsoláveis e a maravilhosa possibilidade de nos sentirmos novamente amados, capazes e necessários. Cuidar, amparar, orientar nos trazem de volta à vida plena. Privar os avós da presença diária dos netos pode, com certeza, reavivar o sentimento de perda e inutilidade já experimentado, a síndrome do ninho vazio, quando da saída dos filhos para escreverem sua própria história.
A saída dos filhos de casa é um processo natural. Deveria ser um momento de felicidade para os pais por terem criado filhos que se tornaram independentes e capacitados para assumir responsabilidades.  Não se trata de abandono e sim de expansão. Só é necessário contar isso ao coração dos pais e mães!
“O amor familiar é como um ninho de pássaros. Quando for a hora certa de voar, os jovens vão voar, assim é a vida.” (Anônimo)
(*) Aldora Maia Veríssimo  - AVL - Cadeira nº 04


Publicidade








 

Siga-nos

Acompanhe o Tribuna Livre nas Redes Sociais!

Notícias Recentes






1