Focus: inflação cai, mas mercado mantém cautela com juros e câmbio
O mercado financeiro reduziu a expectativa para a inflação de 2026, segundo o boletim Focus. O IPCA deve encerrar o ano em 5,15%, ainda acima do centro da meta. A Selic pode cair para 14% no segundo semestre.
O mercado financeiro reduziu ligeiramente a expectativa para a inflação de 2026, segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Banco Central. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, deve encerrar o ano em 5,15%.
Segundo o boletim Focus do Banco Central, a inflação de 2026 deve fechar em 5,15%, abaixo dos 5,16% da semana anterior. A Selic deve cair para 14% ao ano, com o Copom podendo reduzir os juros na reunião de agosto. O dólar deve encerrar o ano em R$ 5,20, estável há cinco semanas.
Queda gradual, mas ainda acima da meta
O dado representa a quarta semana consecutiva de queda nas projeções. Na semana passada, a estimativa era de 5,16%. Há quatro semanas, o mercado previa uma inflação de 5,33%. Para os anos seguintes, as expectativas são de 4,20% em 2027 e 3,78% em 2028.
Apesar da trajetória de desaceleração, o patamar projetado para 2026 segue acima do centro da meta de inflação, fixada em 3% pelo Conselho Monetário Nacional, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O teto da meta para este ano é de 4,5%.
O que diz o PIB e o câmbio
As projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) permanecem inalteradas há três semanas. O mercado espera crescimento de 1,99% em 2026. Há quatro semanas, a estimativa era ligeiramente menor, de 1,98%. Para 2027, a previsão de alta do PIB é de 1,65%, e para 2028, de 2%.
No câmbio, as estimativas estão estáveis há cinco semanas. A cotação prevista para o dólar ao final de 2026 é de R$ 5,20. Para 2027, a projeção é de R$ 5,28, e para 2028, R$ 5,30.
Selic: quando pode cair?
A taxa básica de juros, a Selic, deve encerrar 2026 em 14%, segundo as projeções do mercado. O patamar se mantém pela quarta semana consecutiva. Atualmente, a Selic está em 14,25%, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na reunião de 17 de junho. A expectativa, portanto, é de ao menos uma redução ao longo do segundo semestre.
A próxima reunião do Copom está agendada para os dias 4 e 5 de agosto. Para 2027 e 2028, as projeções para a Selic são de 12% e 10,5%, respectivamente, também estáveis em relação às semanas anteriores.
Como os juros afetam o seu bolso
A redução da Selic tende a baratear o crédito, estimulando a produção e o consumo e, com isso, a atividade econômica. No entanto, especialistas consultados pelo Banco Central para a elaboração do boletim Focus apontam que crédito mais barato pode ampliar as pressões inflacionárias.
Por outro lado, o aumento da taxa básica encarece o crédito e incentiva a aplicação em poupança e renda fixa, em vez do consumo. Na visão do mercado, juros mais altos dificultam a expansão econômica ao reduzir a demanda, o que contribui para conter a inflação.
Os bancos, ao definirem as taxas cobradas de seus clientes, consideram ainda outros fatores, como risco de inadimplência, margem de lucro e despesas administrativas, além da Selic.
Contexto histórico dos juros
Vale lembrar que, entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic esteve em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006, quando a taxa foi fixada em 15,25%. De setembro de 2024 a junho de 2025, o Copom promoveu sete altas consecutivas nos juros básicos.
Perguntas Frequentes
O que é o boletim Focus?
É um relatório semanal do Banco Central que reúne as projeções de mercado para inflação, juros, câmbio e PIB.
Qual a previsão da inflação para 2026?
O IPCA deve encerrar o ano em 5,15%, segundo a última edição do Focus.
Quando o Copom pode reduzir a Selic?
A próxima reunião do Copom está marcada para 4 e 5 de agosto, quando pode haver a primeira redução.
O que significa a meta de inflação?
A meta central é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Para 2026, o teto é 4,5%.
Como a Selic impacta o crédito?
Com Selic menor, os juros cobrados pelos bancos tendem a cair, barateando empréstimos e financiamentos.